O regresso aos títulos pela mão de Kuyt e Elia

Taça da HolandaFEYENOORD 2-1 UTRECHT

Banheira de Roterdão acolhe Final da Taça da Holanda; Oito anos depois, Feyenoord volta a ter motivos para sorrir; Elia e Kuyt fundamentais na vitória; Utrecht não consegue impor a sua identidade futebolística; Bednarek fica mal na fotografia; Giovanni van Bronckhorst conquista 1º título da carreira.

Que melhor sitio para festejar do que em casa? Terá sido esse um dos pensamentos que varreu a cabeça dos jogadores do Feyenoord assim que invadiram o relvado do De Kuip (local tradicional da realização da final) para tentar materializar o regresso aos títulos. Pois bem, numa final morna, foram sempre os homens de Gio que mais fizeram para ficar mais próximo da vitória e do arrebatar da KVNB Bekker.

O Feyenoord surgiu no seu esquema preferencial de 4-2-3-1, beneficiando sobremaneira das constantes trocas posicionais entre Kuyt e Toornstra. Por sua vez, depois das poupanças (e da derrota) diante do De Graafschap, o Utrecht apresentou-se com o melhor conjunto possível, baseado num 4-4-2 losango, com Haller como farol do jogo da equipa. O arranque da partida foi interessante: aos 3’, o Utrecht quase ficou à mercê do golo quando Barazite deixou o capitão Janssen na cara do golo mas este não foi lesto o suficiente para recepcionar a bola; logo de seguida, o lateral Van der Maarel com um passe suicida isolou Kramer que, na cara de Bentarek, não fez melhor do que atirar para fora; e, finalmente, foi Kuyt a dispor de uma boa oportunidade dentro da área, num remate que encontrou corpos pelo meio. Durante longo tempo, os picos cardíacos resumiram-se a esses lances, sobrando um jogo em que o Feyenoord dispôs sempre de mais bola, tentando chamar o Utrecht, mas marcado por demasiados passes falhados e, por isso, com demasiadas inconsequências.

Se é certo que não partia como favorito para a final, a verdade é que a equipa de Erik ten Hag surpreendeu pela forma como nunca conseguiu impor o seu estilo futebolístico: apoiado, racional e esteticamente interessante. Pareceu sempre uma equipa demasiado receosa de ter a bola, com problemas na fase de construção e optando invariavelmente pelo ‘esticar de jogo’, tendo como alvo Haller – e o francês lá foi fazendo o que pôde. Igualmente, o Feyenoord também soube aplicar uma agressividade interessante junto da zona intermédia do Utrecht, evitando que elementos com a qualidade de Strieder e Ramselaar (sempre muito vigiado por Vilhena) pudessem pautar o jogo. Mas, no capítulo ofensivo, também a turma de Roterdão apresentou problemas: por vezes com demasiados homens atrás, o processo ofensivo ‘emperrou’ constantemente e houve sempre dificuldade para furar o muro do Utrecht. Com uma ou outra excepção. Kuyt, esse, aos 35 anos continua a ser o mentor dos ‘Feyenoorders’ e foi através dele que nasceu o 1-0 – fantástico pormenor no inicio da jogada, para, depois, na zona da decisão, ir assistir primorosamente Kramer.

O inicio da 2ª metade parecia indiciar algo de diferente. Desde logo porque o Utrecht procurou chegar-se mais à frente, ganhou um, dois, três livres laterais e, principalmente, porque chegou ao golo. Foi num desses lances que o central Leeuwin foi mais esclarecido do que todos os restantes e tratou de empatar a partida. Porém, a alteração no marcador não traduziu uma mudança notória no comportamento das equipas. O Utrecht continuou muito mais na expectativa e o Feyenoord prolongou o seu maior índice de posse de bola – e as raras oportunidades continuaram a acontecer do lado da baliza de Bednarek. Até que ao minuto 78, houve magia individual! Elia pegou na bola a largos metros de distância baliza-alvo e foi levando Van der Maarel até este arriscar o desarme (que falhou), proporicionando-se as condições ideais para um remate que acabou por não sair nas melhores condições, mas que contou com a preciosa ajuda do keeper do Utrecht. Mau momento defensivo da turma de Ten Hag (ausência de cobertura e concessão de um espaço desmesurado), facilitando imenso o trabalho ao extremo holandês. O Feyenoord chegava a um score que agarrou com unhas e dentes – o Utrecht ainda mexeu, colocando Boymans em cunha com Haller e criando problemas diferentes à equipa de Roterdão, com a bola a cair de forma mais assídua junto à área de Vermeer. Todavia, sem efeitos práticos, acabou mesmo por ser o Feyenoord e Elia a disporem de uma soberana ocasião já em tempo de descontos. Falhada essa chance, mas não hipotecada a conquista maior: eis o Feyenoord de regresso aos títulos, tornando-se no 1º emblema a vencer a Taça da Holanda depois de derrotar 6 equipas da Eredivisie.

DESTAQUES

Do lado do Feyenoord, o 4-2-3-1 gizado por Gio van Bronckhorst teve vários elementos a querer ser protagonistas. O lateral Karsdorp introduziu uma dinâmica muito interessante pelo lado direito, incorporando-se com frequência no ataque e tornando-se mais um elemento envolvido no processo ofensivo (gerindo bem a ocupação do flanco os móveis Kuyt e Toornstra), enquanto os centrais Botteghin e Van Beek, com muita bola, nem sempre souberam capitalizar da melhor forma essa circunstância. Mais à frente, Vilhena destacou-se pela intensidade e capacidade de passe habituais, enquanto Toornstra foi um elemento em constante interacção com Kuyt, a alma mater da equipa e de quem esta sempre espera que a guie. Elia apareceu endiabrado na 2ª metade (completou 4 dribles na Final, mais do que qualquer outro jogador), assumindo-se como figura-chave, enquanto Kramer, como finalizador-nato, fez o que lhe competia – marcou e foi sempre um perigo ao nível do jogo aéreo.

Já a equipa de Ten Hag acabou por desiludir. O Utrecht é muito mais do que o que apresentou hoje – e bastaria recordar o que fez precisamente há uma semana em Amesterdão, diante do Ajax. Assim sendo, elementos como Ramselaar, Strieder ou Ludwig acabaram por passar um pouco ao lado da final, nunca conseguindo assumir-se como elementos de construção e ligação de jogo. Mais atrás, o lateral Van der Maarel e o keeper Bednarek ficam intimamente ligados ao desaire, por contraponto com os centrais Letschert e Leeuwin que fizeram uma boa partida (sobretudo o segundo). À frente, nos raros momentos em que conseguiu ter bola, Barazite tentou puxar a equipa para a frente, enquanto Haller, mais solicitado tendo em conta a sua morfologia, apresentou toques de qualidade, ganhou vários duelos aéreos mas esteve demasiadamente desacompanhado para conseguir fazer mais e melhor.

Homem do jogo: Dirk Kuyt (Feyenoord)

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A conquista da Taça e a festa do Feyenoord | NOS Sport

Fonte da imagem principal: nrc.nl

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