Riechedly Bazoer. Um novo #8 da velha escola

De Eindhoven a Amesterdão, com um título de campeão da Europa pelo meio. Sucedâneo de outros diamantes do mesmo infantário, cresceu de trás para a frente até, hoje, agarrar o meio-campo do Ajax, ligando-o ao resto da equipa. Recém-internacional A pela Holanda, tem a intensidade, dinâmica e capacidade técnica necessárias para ser um box-to-box do tamanho do Mundo. Eis Riechedly Bazoer.

O MELHOR INFANTÁRIO

Desde há muito tempo que a Eredivisie é vista como um dos melhores infantários das grandes estrelas do futebol mundial. A circunstância de apresentar jovens talentos de forma continuada é proporcional à capacidade de regeneração dos clubes que, acabados de lançar um determinado nome, como que se libertam e se preparam para abrir a porta ao projecto de craque que irá surgir imediatamente a seguir. Tantos e tantos são os nomes e incontáveis são os exemplos de sucesso.

O Ajax é, claro, um dos viveiros-exportadores cuja respeitabilidade da marca é quase imaculada. Não há, talvez, melhor exemplo do que aquela fornada de 1994/95 – de Van der Sar, de Bogarde, de Reiziger, de Davids, de Seedorf, de Overmars, dos De Boer e de Kluivert. Que, tamanha a qualidade, acabaram campeões da Europa! Vários outros foram dignos sucedâneos desta imperial família. Duas décadas depois, há mais um nome que faz palpitar o coração de Amesterdão. Sê bem-vindo, Riechedly Bazoer.

1
ajax.nl

DE EINDHOVEN A AMESTERDÃO

E esta história bem que podia ter o seu espaço socio-temporal noutra cidade holandesa –afinal, Bazoer fez parte da sua formação em Eindhoven, no PSV (o tal que há meses viu partir mais duas pérolas: Wijnaldum e Depay), até que, em 2012, tentado por algumas propostas que surgiam já de Inglaterra, optou por rumar em direcção a … Amesterdão. A partir daí a sua ascensão foi progressivamente acelerada: venceu o Europeu sub-17, em 2012, numa final diante da Alemanha de Mayer, Goretzka e Brandt, num conjunto onde actuava como central e onde pontificava por ser o elemento mais jovem. Em 2013/2014, ainda com 16 anos, integrou a equipa secundária do Ajax (que disputa a Jupiter League, equivalente à 2ª Liga Portuguesa), conquistando rapidamente o seu espaço no meio-campo, sobretudo como #6. Foi sensivelmente há um ano que fez a sua estreia na equipa principal, acabando a época de 2014/2015 já como titular e na posição #8.

O início de 2015/2016 tem sido marcado pela plena afirmação de Bazoer na equipa de Frank de Boer – tudo somado, até ao momento, o médio já actuou em 21 partidas, contabilizando mais de 1700’, 1 golo e 4 assistências. Num meio-campo quase sempre a três, o nº 6 da equipa tem-se revelado o elo de ligação perfeito entre Gudelj (mais recuado) e Klaassen (mais junto do avançado). O impacto de Bazoer no jogo colectivo e a forma como se tem evidenciado fez, por um lado, com que fosse já associado ao Arsenal, e, por outro, com que o seu nome constasse da lista de convocados da selecção A holandesa, pela qual se estreou no passado dia 13 de Novembro, diante do País de Gales. De forma natural, toda esta nova conjuntura levou a que o seu passe sofresse uma inflação assinalável – se há meio ano, o seu valor de mercado rondava os 2M€, o (agora) internacional holandês está hoje avaliado em 6,5M.

PERFIL

Fisicamente potente (1.85m e 81 kg), Bazoer é um médio que alia de forma harmoniosa o momento defensivo com características que o tornam numa mais-valia na fase ofensiva do jogo. De facto, o menino que nasceu em Utrecht cresceu enquanto jogador como defesa central, avançou no terreno para a figura de médio defensivo e hoje vemo-lo ocupar, sobretudo, o espaço #8 – este upgrade dentro da cancha permite afirmar que a génese do jogador é defensiva mas a sua evolução fez-se à medida que subia metros no terreno, sendo encarado hoje como um médio completo, um verdadeiro box-to-box, capaz de ligar a equipa e ser competente em todos os momentos do jogo.

Utilizando preferencialmente o pé direito, Bazoer destaca-se pela capacidade de impor a sua presença no meio-campo, evidenciando-se no momento de pressão sobre o portador da bola (embora sabendo fazer as devidas coberturas quando necessário), na rápida reacção ao momento da perda, no espírito combativo e no facto de não se furtar ao duelo físico com o oponente, ganhando muitos lances no combate. Demonstra ser um jogador extremamente competitivo, colocando grande intensidade no seu jogo e revelando sempre uma imensa disponibilidade física.

2
Telegraaf

Qualquer uma das características supramencionadas permitem-lhe ser ainda um plus ao nível do processo ofensivo. Com a sua velocidade e capacidade de explosão (muitas vezes para sair de um curto espaço), é capaz de levar a equipa consigo, galgando metros, invadindo o bloco do adversário e queimando linhas até chegar à zona de decisão. De todo o modo, este perfil de “tanque” não lhe retira a sobriedade nem o discernimento para jogar em posse e de forma apoiada – é, aliás, essa a matriz de jogo do Ajax, desde a antiguidade até hoje com Frank de Boer ao comando. Dotado de boa capacidade técnica (sobretudo ao nível da recepção, primeiro toque e passe curto), o nº 6 da equipa de Amesterdão encarna o papel de peça vital quando o Ajax procura um jogo de controlo e de paciência, usando muitas vezes a sua dimensão física para esconder a bola, fixando e soltando no melhor momento.

Não sendo um génio criativo, é comum vê-lo subir no terreno (em progressão individual ou em combinações com os companheiros), encarando o bloco contrário e libertando num timing muito interessante. É ainda forte no 1×1 ofensivo (rapidez e agilidade no drible), o que lhe permite, em determinados contextos, actuar mais junto à banda lateral – foi, aliás, desta forma, que marcou o único golo esta época, na vitória difícil fora de portas diante do Vitesse.

Não será de desconfiar que os capítulos da história de Bazoer em Amesterdão estejam a caminhar em direcção ao epílogo. Aos 19 anos, o médio do Ajax tem todas as bases para se transformar num dos melhores médios europeus a médio/longo prazo. Nem tudo são rosas, porém; mesmo sendo raro furtar-se ao choque e ao combate, Bazoer apresenta deficiências ao nível do jogo aéreo, onde, apesar da sua estatura, é comum perder duelos. Por outro lado, sendo um médio de propensão para a condução individual, será importante melhorar na chegada à área e no capítulo da finalização, onde demonstra algumas lacunas – não é, de todo, um jogador exímio na hora do remate.

AMANHÃ

Longe de querer etiquetar um jogador ainda tão jovem, Bazoer evidencia pormenores de Patrick Vieira e de Clarence Seedorf, num mix bastante tentador. Seja como for, a sua formação enquanto jogador não está ainda concluída, e seria aconselhável para o hoje internacional holandês permanecer em Amesterdão mais uma ou duas temporadas antes de dar o (natural) salto para uma das maiores Ligas Europeias. Como fez com outros, o Ajax será a melhor das bases para o menino continuar a crescer. Depois disso, Amesterdão ficará para trás, Bazoer partirá para escrever a sua própria história e a Holanda, muito provavelmente, ganhará um médio box-to-box de elevado quilate para a próxima década.

3
media.co.uk

x1

x2

x3

Fonte da imagem principal: chile.as.com

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s